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🩸 Nyx The Slayer — Arquivo de Lore

"Ela não era maluca. Ela apenas tomou umas decisões muito, muito duvidosas."


📋 Informações Gerais

CampoDetalhe
NomeNyx
AlcunhaThe Slayer
Idade17 anos
Estado atualRevogada, sem controlo, à procura de respostas
Arma atualZarabatana
Associações conhecidasSlenderman (aparentemente?)

📖 História — A Descida ao Caos

Capítulo I — A Floresta, o Papel e o Início do Fim

Nyx é uma adolescente de 17 anos — inteligente o suficiente para existir, mas infantil o suficiente para ignorar cada sinal de aviso que o universo lhe atirou à cara (tinha que ser, lol).

Numa segunda-feira de calor infernal, ela decidiu sair de casa para dar um passeio nos arredores de uma floresta próxima. O outfit do dia: cropped, correntes, calções de sports e ténis básicos. Nyx nunca ligou muito à forma como se vestia — na cabeça dela, ela veste o que quiser e dane-se (honestamente, same). Era costume ir àquela floresta com aquele tipo de roupa, por isso não havia razão para preocupação.

Chegou por volta das 3 da tarde. Não chegou a entrar propriamente na floresta — ficou pelo matagal em redor, deu uma volta, ficou umas duas horas e meia (porra, 2 horas não é muito tempo?? a minha perceção de tempo é uma mentira então) e decidiu voltar para casa. Desta vez, porém, escolheu um caminho diferente para passar perto da carrinha de gelados (por que raios ela decidiu apanhar outro caminho bro).

Foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas.

Enquanto caminhava pelo matagal, ouviu um assobio vindo de dentro da floresta. Pensou que não seria nada — era comum ter pessoas lá dentro — e continuou a caminhar. Até ouvir outro assobio, desta vez mais próximo. A curiosidade foi maior que o bom senso, e ela entrou na floresta para tentar encontrar a origem do som (a burrice começa aí).

Não encontrou nada. Voltou para o caminho. E então pisou num papel.

Curiosa, apanhou-o e leu:

"Aparece aqui amanhã, fofa.. Vais adorar. — Ass: Admirador Secreto"

(ihh vai dar merda)

Nyx não sabia bem como reagir. Levou o papel consigo de volta para casa — e acabou por nem passar pela carrinha de gelados.


Capítulo II — Os Recados, a Cabana e o Desafio Completamente Desnecessário

Ficou 20 minutos a pensar no que fazer. Ir ou não ir. Até concluir que, como não tinha nada para fazer mesmo, não tinha nada a perder (ohhh tamanha burrice).

No dia seguinte, vestiu a mesma roupa — porque dane-se — e voltou à floresta. Nada. Até regressar ao sítio onde tinha encontrado o primeiro papel.

Havia um segundo.

"Já reparei que estás com a mesma roupinha, huh.. Que bom, ela fica-te bem. — Ass: Admirador Secreto"

Estranho deveria ter sido o pensamento dela — ela tinha acabado de chegar e já havia um papel a comentar a roupa. Nyx não estranhou (porra, mas que gaja lerda). Sem mais nada para fazer, decidiu adentrar mais a floresta, onde encontrou um terceiro papel, desta vez mais longo:

"Bom saber que decidiste entrar mais na floresta.. É bom te ter aqui, fofinha, é realmente muito bom… Aposto que sabes que tem uma cabana aqui perto.. O que achas de ir lá, linda? Seria o lugar perfeito para ti. — Ass: Admirador Secreto"

Nyx leu. Pensou. E foi (o que o tédio faz com as pessoas é impressionante… Já avisei que vai dar merda).

Ao chegar à cabana — meio abandonada, mas em razoável estado de conservação — a porta estava entreaberta. Entrou. Reparou numa vela acesa. Estava luz suficiente lá fora e a cabana tinha janelas — não havia absolutamente nenhuma razão para uma vela acesa. Nyx não estranhou (bro.. ou isso é lerdeza ou é só burrice mesmo).

Explorou a cabana até encontrar um último papel no sofá:

"Este é o meu último recado, linda. Na próxima vez a gente se verá pessoalmente… Agora que estás aqui, eu te desafio a passar uma noite aqui.. E se conseguires, eu te darei o que quiseres. — Ass: Admirador Secreto"

Nyx aceitou o desafio (nah bro isso já é pura burrice).

Passou a tarde a explorar a floresta, regressou à cabana ao anoitecer, deitou-se na única cama disponível e adormeceu surpreendentemente depressa.


Capítulo III — A Sombra, o Fogo e o Hospital

De manhã, foi acordada por um barulho vindo de fora. Saiu para investigar, não encontrou nada, voltou para dentro.

E viu uma sombra de uma pessoa dentro do armário (bosta, deu bosta, isto vai dar muita merda).

Aproximou-se. Abriu o armário. Nada — a sombra havia desaparecido. Decidiu ignorar e regressar a casa, sem saber sequer se o desafio tinha sido cumprido.

Chegou a casa. A porta estava aberta.

Achou que alguém poderia ter invadido. Entrou. Dirigiu-se à cozinha — e a porta foi brutalmente fechada atrás dela, trancando pelo lado de fora (bro quem raios tem uma porta DE COZINHA que tranca? Isso não faz sentido). Desesperada, começou a bater na porta. Sem resultado.

Então olhou para trás e viu o fogo.

Num estado de pânico absoluto, Nyx saltou para cima das chamas a pensar que isso as apagaria (coisa que não aconteceu). Queimou até desmaiar.

Por sorte, os vizinhos ouviram os gritos e foram rapidamente ao local. Quando chegaram, a porta da cozinha estava já aberta, o fogo extinto, e Nyx inconsciente no chão (pera.. a porta tava literalmente trancada… COMO RAIOS ELA TÁ ABERTA? E como raios O FOGO APAGOU). Chamaram uma ambulância e ela foi levada para o hospital.


Capítulo IV — O Espelho, o Surto e a Fuga

Nyx acordou numa cama de hospital, com algumas ligaduras. Os médicos deixaram-na ir à casa de banho lavar a cara.

Olhou-se ao espelho. A sua pele estava branca como a neve.

Não achou horrível — até gostou. Mas era estranho. E então, do nada —

Socou o espelho com uma força suficientemente alta para ser ouvida no quarto ao lado (bro POR QUE).

Quando os médicos chegaram, Nyx estava em crise de ansiedade severa — contorcia-se, chutava, socava qualquer coisa ao alcance. Um dos médicos tentou administrar um calmante por seringa. Nyx arrancou a seringa da mão dele e injetou-a no próprio médico (mano a gaja ficou maluca), que caiu adormecido no chão.

Percebeu o que tinha feito. Entrou em pânico total. Deu um berro e saiu a correr do hospital. Os seguranças tentaram interceptá-la — mas ela estava a uma velocidade absurda, completamente fora do normal.

Chegou a casa. Deitou-se. Tentou acalmar-se. Até ver uma sombra.

A sombra foi a gota final (ela simplesmente enlouqueceu de vez). Pegou numa faca, saiu pela janela — e, sem chegar a usar a faca em ninguém, atirou-a contra o vidro da janela do vizinho, que partiu sem atingir ninguém.

Num estado de loucura crescente, voltou para a floresta.


Capítulo V — O Fogo Branco e a Transformação

Adentrou a floresta em plena crise de pânico e foi diretamente à cabana onde tudo tinha começado.

Desta vez havia algo diferente: um isqueiro e um barril com um produto químico aparentemente não identificado (isqueiro.. produto químico… isto não vai dar bom).

Sem saber o que fazer — e claramente sem pensar — acendeu o isqueiro e atirou-o contra o barril. A cabana incendiou rapidamente. Nyx recuou ligeiramente, intencionando apenas deixar a cabana queimar.

Mas o fogo começou a clarear.

Quanto mais claro ficava, mais calor irradiava. A temperatura subiu até atingir 1400ºC. O fogo tornou-se branco — não havia mais sinal de chamas normais. E quanto mais calor Nyx sentia, mais enlouquecia.

Até ter um surto e saltar para dentro do fogo branco, achando que isso a ajudaria (bro.. eu entendo a pessoa estar maluca, mas quem raios pensa que saltar NUM LITERAL FOGO vai ajudar).

Queimou. Mas nada de anormal aconteceu — não derreteu, não sentiu dor. A única coisa visível era o seu cabelo a começar a clarear gradualmente. O fumo acumulou-se até ela desmaiar (de novo bro? a sério).


Capítulo VI — Slenderman e o Fim do Início

Acordou algum tempo depois num lugar completamente diferente e irreconhecível.

Saiu do quarto e deparou-se com o que parecia ser um homem alto, pálido e completamente sem feições. Perguntou onde estava e quem era. Não obteve resposta. O homem desapareceu — e deixou apenas um recado:

"Estás completa agora. Não te preocupes, vai ficar tudo bem. Podes fazer o que quiseres, aproveita e tenta arranjar alguma arma, o mundo é perigoso lá fora. — Ass: Slenderman"

(olha quem resolveu aparecer, que merda)

Nyx não compreendeu. Mas explorou o quarto onde tinha acordado e encontrou uma zarabatana, ficando com ela para se defender.

E então saiu — completamente revogada, sem controlo, e à procura de respostas que ninguém parecia querer dar-lhe.


🔴 Alterações / Efeitos Pós-Transformação

O que a exposição ao fogo branco de 1400ºC fez a uma adolescente de 17 anos:

  • Pele — Ficou branca como a neve após o primeiro incidente de fogo
  • Cabelo — Começou a clarear durante a exposição ao fogo branco
  • Força física — Capacidade de partir vidro de espelho com um soco, com força audível no quarto adjacente
  • Velocidade — Significativamente superior ao normal humano, a ponto de não conseguir ser interceptada por seguranças de hospital
  • Resistência — Sobreviveu a 1400ºC sem derreter ou sentir dor
  • Estado mental — Instável; episódios de ansiedade severa, surtos de pânico, comportamento impulsivo e descontrolado

🧩 Entidades Associadas

🖤 Admirador Secreto

Entidade ou indivíduo desconhecido responsável pelos recados que conduziram Nyx à cabana e, subsequentemente, à sua transformação. Identidade não confirmada. Motivações incertas. Aparentemente orquestrou todos os eventos desde o início.

🕴️ Slenderman

Entidade de aparência humanoide — alta, pálida, sem feições. Encontrada por Nyx após a transformação. Não comunicou verbalmente; comunicação apenas via recado escrito. Declarou que Nyx está "completa" e aconselhou-a a arranjar uma arma. Papel no processo de transformação: por confirmar.


⚠️ Linha Cronológica Resumida

Segunda-feira
└── Passeio na floresta → Assobios → Papel nº1 encontrado

Terça-feira
└── Regresso à floresta → Papel nº2 → Papel nº3 → Cabana descoberta
    └── Vela acesa ignorada → Desafio aceite → Noite passada na cabana

Quarta-feira (manhã)
└── Barulho exterior → Sombra no armário → Regresso a casa
    └── Porta da cozinha trancada → Fogo → Desmaio nº1
    └── Hospital → Espelho → Pele branca → Soco no espelho
    └── Seringa no médico → Fuga do hospital → Faca atirada ao vizinho

Quarta-feira (tarde/noite)
└── Regresso à floresta → Cabana → Barril químico + isqueiro
    └── Fogo branco 1400ºC → Transformação → Desmaio nº2

Depois
└── Acordar em local desconhecido → Slenderman → Zarabatana obtida
    └── Fuga → Estado: revogada, sem controlo, à procura de respostas

Arquivo em construção. Lore sujeito a expansão. ███████████████████████████████████████████ █████████████████ Parte. 2 ██████████████████████ ███████████████████████████████████████████

🩸 Nyx The Slayer — Continuação

"Às vezes a resposta para todas as tuas perguntas é apenas uma rapariga sentada numa cadeira à tua espera."


📖 Capítulo VII — Respostas Que Ninguém Pediu Mas Toda a Gente Precisava

I. O Caminho de Volta

Nyx saiu sem rumo definido. Tinha uma zarabatana, zero respostas, e uma quantidade de raiva acumulada que provavelmente não era saudável para nenhum ser humano — ou seja-lá-o-que-ela-fosse agora.

O destino mais lógico que lhe ocorreu foi o único lugar onde tudo tinha começado: a floresta. A cabana. O sítio onde a sua vida decidiu dar uma volta de 180 graus sem sequer a avisar com antecedência razoável.

A floresta estava estranhamente silenciosa quando ela entrou. Nenhum assobio desta vez. Nenhum papel no chão. Apenas a luz a filtrar-se pelas árvores de forma pouco convidativa, como se até a floresta soubesse que as perguntas que ela trazia não tinham respostas simples (a floresta tinha mais consciência situacional do que ela no capítulo I, honestamente).

Ela seguiu o caminho que já conhecia, o mesmo que tinha percorrido dias antes como uma versão de si mesma que ainda achava que assobios desconhecidos na floresta eram curiosidades inocentes. Saudades dela, quase.

O cheiro a fumo ainda persistia no ar antes mesmo de chegar à cabana. Era o tipo de cheiro que adere a tudo — às roupas, ao cabelo, à memória. Nyx reconheceu-o antes de ver o que restava do edifício.

O que restava era pouco. Vigas enegrecidas, cinzas, e o silêncio pesado de uma coisa que já foi e não volta. Ela ficou ali parada uns momentos, a olhar para os escombros, sem saber bem o que esperava encontrar (talvez respostas? numa pilha de cinzas? sim, muito lógico).

Deu meia volta.


II. Ticci Toby — O Homem Errado no Sítio Certo

Estava a regressar pelo mesmo caminho quando o viu.

Alto. Capuz. Aquele jeito de estar parado que não parecia propriamente humano — não imóvel de forma normal, mas imóvel de forma que tornava o ambiente à sua volta mais tenso sem razão aparente. E as hatchets. As hatchets eram difíceis de ignorar.

Nyx parou.

O homem também estava parado.

Nenhum dos dois disse nada durante uns segundos que se sentiram desnecessariamente longos.

Então. — Nyx foi a primeira a falar, porque aparentemente o bom senso era algo que ela continuava a não possuir em quantidades adequadas. — Tu estavas a rondar esta floresta há uns dias, não estavas.

Não era uma pergunta. Era uma afirmação dita com o tom exato de alguém que está a confirmar que a sua teoria pior era a correta.

O homem não respondeu imediatamente. Tinha um tique na cabeça, um movimento involuntário que ela notou antes de notar qualquer outra coisa nele. Quando finalmente falou, a voz saiu com um esforço ligeiramente visível, como palavras que tinham de ser organizadas antes de serem libertadas.

Eu não estava a rondar. — Uma pausa. — Eu estava a cumprir uma missão.

Uma missão.

Sim.

Que envolvia assobiares para mim na floresta e deixares papéis no chão com "Admirador Secreto" como assinatura.

Silêncio.

…Sim.

Nyx fechou os olhos por um segundo. Inspirou. Expirou. Contou até três, que não chegou a ser suficiente mas era o que havia.

Quem te mandou fazer isso.

Slenderman.

A resposta chegou sem hesitação. Direta. Como quem não vê razão para mentir porque nunca considerou que mentir fosse uma opção. Toby não era o tipo de pessoa que complicava as coisas com subterfúgios — Slenderman pediu, ele fez, ponto final.

Slenderman. — Nyx repetiu a palavra como se a estivesse a examinar por fora antes de a deixar entrar. — O mesmo que me deixou o recado a dizer que estava "completa".

Sim.

E tu não sabes porquê.

Toby inclinou ligeiramente a cabeça. Era difícil de interpretar se era confirmação ou simplesmente um tique, mas o silêncio que se seguiu respondeu o suficiente.

Não me cabe a mim saber porquê — disse ele, eventualmente. — Só me cabe cumprir.

Nyx olhou para ele durante uns momentos. Havia qualquer coisa naquela resposta que ela reconheceu sem querer reconhecer — a lógica de alguém que encontrou uma estrutura e se agarrou a ela com tudo, porque a alternativa era não ter nada a que se agarrar. Não era estupidez. Era lealdade. E lealdade era uma coisa que ela entendia, mesmo quando estava a ser usada para coisas questionáveis como orquestrar a destruição psicológica de uma adolescente aleatória.

Onde fica a mansão. — A voz de Nyx saiu mais calma do que ela esperava. Não era paz. Era o tipo de calma que vem depois de decidir que não havia mais nada a perder em continuar em frente.

Toby apontou.


III. A Mansão e a Cadeira

A mansão não era o que ela esperava. Ou era exatamente o que esperava e ela só não queria admitir que "mansão de criaturas sobrenaturais na floresta" tinha um aspeto muito específico e muito consistente com o que estava à sua frente.

A porta estava aberta (de novo com as portas abertas).

Nyx entrou.

A primeira coisa que viu foi a cadeira.

A segunda coisa que viu foi quem estava na cadeira.

Uma rapariga. Cabelo preto, olhos com aquele tipo de intensidade que não é exatamente hostil mas também não é exatamente confortável. Sentada diretamente em frente à entrada, de forma que era impossível entrar sem a ver — e era óbvio que isso era intencional. Ela estava à espera. Tinha estado à espera. E sabia exatamente quando Nyx ia chegar (o que era, objetivamente, muito inquietante).

Nenhuma das duas falou durante um momento.

Foi Nyx quem quebrou o silêncio, porque era aparentemente a sua função no universo neste dia.

Quem és tu.

A rapariga na cadeira esboçou qualquer coisa que não chegava a ser um sorriso mas estava na vizinhança do conceito.

Nina — disse ela, simplesmente. — E tu és Nyx. Já sei quem és.

Claro que sabes. — Nyx não conseguiu evitar o tom. — Aparentemente toda a gente sabe quem eu sou menos eu.


📖 Capítulo VIII — Nina, as Respostas e a Conversa Mais Estranha da História

I. Perguntas

Nyx ficou parada perto da entrada. Não se sentou. Não se aproximou. Manteve a distância de alguém que ainda não decidiu se a situação era segura, mas que também já passou das últimas 48 horas a tomar decisões suficientemente más para que "seguro" fosse um conceito relativo.

Slenderman orquestrou tudo isto — começou ela. Não era uma pergunta, mas soou como o início de uma.

Slenderman executou — corrigiu Nina, com aquela precisão de quem escolhe as palavras com cuidado. — A ideia não foi dele.

Nyx fixou-a.

De quem foi.

Minha.

O silêncio que se seguiu foi o tipo de silêncio que tem peso.

Tua. — Nyx deixou a palavra no ar. — Então foste tu. Os papéis, o fogo, o hospital, o fogo branco — tudo isso foi ideia tua.

Não diretamente. Eu pedi a Slenderman para tratar do processo. Ele passou para o Toby como favor.

Processo. — Nyx repetiu a palavra com uma expressão que não era bem incrédula mas estava claramente a esforçar-se para não o ser. — Chamas a isto um processo.

Nina não respondeu a isso. Apenas esperou.

Porquê eu — disse Nyx, eventualmente. A pergunta que importava. A que estava debaixo de todas as outras. — De todas as pessoas, porquê eu. Porque é que tu — alguém que eu nunca vi na minha vida — decidiste que eu era o alvo de… seja lá o que isto é.

Nina inclinou ligeiramente a cabeça, como alguém a decidir quanto dizer e em que ordem.

Estive a observar-te.

A observar-me.

Durante alguns meses.

Nova pausa. Nyx processou isso.

Meses.

Sim.

Tu estiveste a observar-me durante meses — Nyx articulou cada palavra com a lentidão de alguém a confirmar que ouviu corretamente — e nenhuma vez consideraste simplesmente… falar comigo.

Não era assim que funcionava.

Não era assim que— Nyx parou. Recomeçou. — O que é que observaste em mim que fez com que "vou pedir ao Slenderman para transformar esta rapariga" fosse a conclusão lógica.

Nina ficou um momento antes de responder.

A forma como te moves. Como decides as coisas. Entras numa floresta porque ouves um assobio. Passes uma noite numa cabana porque um papel te desafia. Não é estupidez — é uma falta de medo que a maioria das pessoas não tem. Ou finges muito bem que não tens.

Nyx não disse nada.

Vi como reagiste ao hospital. Ao espelho. Ao fogo. Mesmo no meio de tudo isso, não paraste. Continuaste. A maior parte das pessoas teria parado muito antes.

A maior parte das pessoas não teve a cozinha incendiada pelo Ticci Toby a mando do Slenderman a mando de ti — respondeu Nyx, com um fio de ironia que não conseguiu segurar.

Também verdade — admitiu Nina, sem parecer particularmente arrependida.


II. Mais Perguntas

O fogo branco — disse Nyx, mudando de direção. — O produto químico na cabana. Isso foi planeado.

Sim.

Para fazer o quê, exatamente. O que é que aconteceu comigo.

Transformação — disse Nina. — O tipo de coisa que não se explica completamente com palavras, mas o resultado és tu. O que és agora.

E o que sou eu agora.

Nina olhou para ela diretamente.

Uma de nós.

Nyx deixou isso assentar.

Uma de nós — repetiu. — Estás a dizer que me transformaste numa… creepypasta. Numa criatura. Como tu. Como o Toby. Como o Slenderman.

Mais ou menos. A categoria exata ainda está por definir. Mas sim.

Sem me perguntar.

Sem te perguntar.

Decidiste, por conta própria, que querias que eu fosse isto — Nyx gesticulou vagamente para si mesma — e em vez de, não sei, me abordares como um ser humano normal e dizeres "olá, estou a considerar transformar-te numa entidade sobrenatural, tens interesse", fizeste tudo isto.

Nina não desviou o olhar.

Sim.

Porquê.

E aqui Nina fez uma pausa diferente das outras. Não a pausa de quem está a escolher palavras. A pausa de quem está a decidir ser honesta sobre algo que talvez fosse mais fácil deixar em vago.

Porque eu queria que fosses minha amiga — disse ela. — E não sabia fazer isso de outra maneira.


III. A Razão

O silêncio que se seguiu foi diferente dos anteriores.

Nyx olhou para Nina. Nina não desviou o olhar — havia naquela afirmação uma vulnerabilidade muito específica, do tipo que não pede desculpa por si mesma mas que também não tenta esconder-se atrás de justificações mais sofisticadas.

Amiga — disse Nyx, eventualmente.

Sim.

Observaste-me durante meses. Pediste ao Slenderman para me transformar. Orquestraste tudo — os papéis, o fogo, o hospital, o fogo branco de 1400 graus. Tudo isso. Porque querias ser minha amiga.

Sim.

Nina.

Sim.

Isso é a coisa mais maluquinha que já ouvi.

Provavelmente.

E tu nem sequer pareces arrependida.

Nina considerou isso por um momento.

Estou arrependida de não te ter explicado antes. Não estou arrependida de o ter feito.

Nyx abriu a boca. Fechou. Abriu outra vez.

Passaste meses a observar-me e a conclusão que tiraste foi que eu era o tipo de pessoa que ia aceitar isto.

A conclusão que tirei foi que eras o tipo de pessoa que, depois de processar, ia entender.

Há uma diferença enorme entre aceitar e entender.

— concordou Nina. — Por isso estou à espera que percorras as duas.


IV. O Processo

Nyx ficou em silêncio durante um momento longo o suficiente para que fosse evidente que estava genuinamente a processar.

O problema era que Nina não estava errada — e isso era irritante de uma forma muito específica. Havia uma lógica ali, torta e completamente fora do que qualquer pessoa consideraria razoável, mas lógica ainda assim. E por baixo de toda a raiva e de todas as perguntas e de todo o caos das últimas 48 horas havia uma coisa que Nyx não sabia bem o que fazer com ela:

Ela não era a mesma pessoa que tinha saído de casa numa segunda-feira por querer ir dar um passeio.

E talvez isso não fosse necessariamente mau.

Talvez.

Tens alguma pergunta que ainda não fizeste — disse Nina, com o tom de alguém que sabe que a conversa está a chegar ao fim mas não quer presumi-lo.

Nyx pensou.

O Toby sabia que eras tu a pedir.

Não. Slenderman não lhe disse.

Slenderman sabe porquê tu pediste.

Sim.

E achou que era uma razão válida o suficiente para aceitar.

Aparentemente — disse Nina, e havia qualquer coisa na forma como disse que sugeria que ela própria ainda achava isso ligeiramente surpreendente.

Nyx olhou para o teto por um segundo. Depois para Nina. Depois para a porta. Depois para Nina outra vez.

Se eu sair por essa porta agora, vais fazer mais alguma coisa maluca.

Não.

Prometes.

Prometo.

Nyx ficou mais uns segundos parada. Depois, com o cansaço de alguém que passou as últimas 48 horas a sobreviver a coisas que não devia ter sobrevivido e já não tem energia para ser razoável acerca de nada:

Okay.

Nina levantou ligeiramente uma sobrancelha.

Okay?

Okay. — Nyx encolheu os ombros, com uma resignação que era quase impressionante na sua completude. — Aconteceu. Não desacontece. Estou branca como a neve, sobrevivi a 1400 graus e aparentemente sou uma creepypasta agora. E tu querias uma amiga e foste pelo caminho mais absurdo possível para conseguir isso. — Uma pausa. — Mas pronto. Estou cá. Já que estou cá.

Nina ficou a olhar para ela durante um momento.

Isso é um sim?

Isso é um "vou precisar de tempo para processar mas não estou a sair a correr" — disse Nyx. — O que, dado o contexto, é provavelmente o melhor que consegues.

E Nina — pela primeira vez desde que Nyx a tinha visto — esboçou qualquer coisa que desta vez era definitivamente um sorriso.

É suficiente.


🔴 Estado Final — Pós-Conversa

CampoDetalhe
NyxTecnicamente aceita a situação. Precisa de tempo. Está cá.
NinaConseguiu o que queria pelo caminho mais torto possível. Sem arrependimentos.
TobyCumpriu a missão. Provavelmente não sabe que foi tudo por causa de uma amizade.
SlendermanAlgures na mansão, presumivelmente ciente de que tudo correu como planeado.

Fim.. por enquanto.

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